Paraná: Oeste avança para produzir energia a partir do biogás

Biodigestores serão instalados em dezenove propriedades rurais de Entre Rios do Oeste em outubro deste ano
O primeiro município a testar o método será Entre Rios do Oeste.
Uma nova reunião aconteceu esta semana na sede da Companhia Paranaense de Energia (Copel) em Curitiba para verificar o andamento da implantação do projeto de arranjo técnico e comercial de geração distribuída de energia elétrica a partir do biogás em propriedades rurais. O primeiro município a testar o método será Entre Rios do Oeste.

No encontro com o deputado estadual José Carlos Schiavinato (PP) e com engenheiro de Pesquisa e Desenvolvimento da Coordenação de Inovação (PRE/CIN), José Roberto Lopes, representantes do Centro Internacional de Energias Renováveis–Biogás (CiBiogás) atualizaram as informações a respeito do andamento da implantação.

O diretor de desenvolvimento tecnológico da empresa, Rafael González explica que o cronograma de trabalho compreende três anos, onde deverão ser superadas trinta e quatro etapas. Atualmente se trabalha na 14ª etapa. “Estamos dentro do prazo, sendo que a primeira etapa foi o diagnóstico das propriedades e depois a viabilidade do projeto. O mais importante é tornar o biogás ecológica e economicamente viável tanto para o município quanto para os produtores”.

Segundo González o projeto de engenharia da rede coletora fica pronto até final de julho de 2017. Em agosto inicia-se a execução física, que leva em torno de 40 dias. A implantação dos biodigestores nas propriedades geradoras deverá acontecer até outubro de 2017 e devem entrar em operação em julho de 2018.

Até o momento 19 propriedades rurais que participam do projeto. O programa, no entanto, pode comportar até 63 produtores. Para Schiavinato a região Oeste do Paraná está com uma oportunidade histórica nas mãos. “Esse é o futuro, a geração de energia sem agressão ao meio ambiente. Tenho certeza que mais do que produzir energia estamos produzindo conhecimento com esse programa. ”
Foto da reunião
Como funciona

O projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Copel tem a empresa CiBiogás como a consultora em todos os passos da implantação e pós-implantação do biogás nas propriedades.

Com investimento de R$ 17 milhões em recursos de P&D aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o projeto vai interligar inicialmente dezenove propriedades suinocultoras e avicultoras de Entre Rios do Oeste por meio de um biogasoduto com cerca de 22 quilômetros. O projeto garante o tratamento dos dejetos animais transformando um agente poluidor em biogás e biofertilizante, com a possibilidade de o produtor comercializar estes produtos gerando uma renda adicional. Os produtores contam também com uma linha de crédito especial com três anos de carência, oferecida pelo Sicredi para a compra dos geradores.

O biogás é uma mistura de gases composta principalmente por metano e dióxido de carbono, obtida normalmente através do tratamento de resíduos domésticos, agropecuários e industriais, por meio de processo de biodegradação anaeróbia, ou seja, na ausência de oxigênio. Ele gera energias elétrica e térmica, além de biocombustível (biometano). Durante o processo, é possível ainda, se produzir biofertilizante.

Para se produzir o biogás, o primeiro passo é fazer um Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE), incluindo a análise do potencial de produção de biogás dos resíduos agroindustriais, orgânicos e dejetos de animais disponíveis, a viabilidade econômica do projeto e qual a melhor solução tecnológica.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) considera o potencial energético das biomassas* no Brasil, saltará de 210 milhões de TEP (Tonelada Equivalente de Petróleo) em 2013, para cerca de 460 milhões de TEP em 2050.

Já a Associação Brasileira de Biogás e Biometano (Abiogás) considera que o potencial nacional é de cerca de 20 bilhões de metros cúbicos ao ano nos setores sucroalcooleiro e na produção de alimentos. Já no setor de saneamento básico, resíduos sólidos e esgotos domésticos é de três bilhões de metros cúbicos ao ano.

Inovador

O biogás produzido na rede de biodigestores será filtrado em uma refinaria para se transformar em biometano e este será canalizado para uma Minicentral Termelétrica (MCT) com capacidade total de 480 kW. A interligação das propriedades em torno de uma MCT é essencial para garantir a viabilidade econômica do projeto.

O projeto é inovador no sentido de agrupar pequenas unidades produtoras em torno de uma grande central de aproveitamento energético de biogás, o que possibilita ganho de escala no custo de geração.

Trata-se de um modelo de tratamento dos dejetos animais para a produção de biogás e biometano que poderá ser replicado em outras regiões do Paraná, com ganhos ao meio ambiente, para os produtores e para o uso de gás a partir de sistemas isolados, a ser gerida pela Compagás, e que podem ser duplicadas para outras finalidades além da produção de energia elétrica.

A biodigestão de dejetos orgânicos para a produção de energia tem como parceiros a Copel Geração e Transmissão (financiadora e gestora do projeto) e o CIBiogás como executor.

Também participam do projeto a Prefeitura Municipal de Entre Rios do Oeste e a Autarquia Municipal de Serviços de Água, Saneamento e Energia.


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