1º Encontro Nacional de Mulheres de Arquibancada discute presença feminina nos estádios e estratégias contra o machismo

Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil Edição: Fábio Massalli

O Museu do Futebol, na zona oeste da capital paulista, recebeu hoje (10) o 1° Encontro Nacional de Mulheres de Arquibancada. Cerca de 350 mulheres de torcidas e coletivos de 11 estados brasileiros foram ao evento. O objetivo é discutir a participação feminina nos estádios e estratégias contra o machismo nas torcidas.

“A gente está lutando muito contra o machismo na arquibancada, contra proibições que ainda existem para mulheres, o assédio, com experiências das meninas. Muitas meninas têm bastante espaço, então, elas vão contar como conseguiram esses espaços. A gente pretende sair com um documento com algumas propostas para dar encaminhamento nisso”, explica uma das organizadoras, Dadá Ganan, que faz parte da Gaviões da Fiel, torcida organizada do Corinthians.

A ideia do encontro surgiu, segundo Dadá, a partir de grupos de discussões no Facebook e no Whatsapp. Segundo, Dadá, as mulheres ainda enfrentam diversos obstáculos dentro das torcidas organizadas, além do machismo da sociedade refletido dentro dos estádios. “Tem torcida que não aceita short. Tem torcida que não aceita mulher botar a mão em material. Tem torcida que não aceita que as mulheres viajem com a torcida”, exemplifica.

Apesar da articulação entre os grupos de torcedoras ocorrer há algum tempo, a organizadora ficou surpresa com o tamanho do evento. “Eu nem imaginava que vinha esse tanto de gente”, disse.

Frequentadora de estádios desde os 17 anos, Débora Silva, hoje com 26 anos, disse que teve muito trabalho para mudar a cultura dentro da Pavilhão 6, torcida organizada do Clube do Remo, de Belém (PA). “Logo que eu entrei, não era muito frequenta as mulheres na arquibancada. Iam só as mulheres do presidente e dos diretores [da torcida organizada]. Tinham kits para homens, mas não tinha para mulheres. Aquilo me incomodou muito. Tanto que eu puxei a ala feminina da minha torcida, para que a gente tivesse um material feminino, uma ação específica só para mulheres”, disse.

História

A pesquisadora do Museu do Futebol Aira Bonfim diz que faz parte da missão da instituição manter um estudo contínuo das transformações do esporte. Nesse sentido, o evento deverá influenciar de algum modo a linha apresentada para o público.

“Se a gente tem fotos de mulheres desde o início do século ocupando arquibancada, só em 2017 a gente está fazendo o primeiro encontro de arquibancada. Nacionalmente, nunca aconteceu um encontro que junte tantos grupos diferentes e tantas mulheres com experiências diferentes”, disse sobre a importância do encontro.


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