Tratamento reduz desenvolvimento de pressão alta

Daniel Isaia - Correspondente da Agência Brasil Edição: Aécio Amado

Uma pesquisa científica de âmbito nacional coordenada por pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) mostrou que o tratamento contra a pressão alta é mais eficaz quando iniciado na fase de pré-hipertensão. O estudo, batizado de Prever Prevenção pelos pesquisadores, contou com a participação de 31 cientistas de 11 estados brasileiros e dos Estados Unidos.

A primeira parte da pesquisa foi realizada com pacientes que registraram pressão arterial entre 120/80 milímentro Hg (mmHg) e 139/89 mmHg, ou seja, na fase de pré-hipertensão. Em um primeiro momento, eles receberam orientações e suporte para modificar a alimentação e praticar exercícios físicos com regularidade.

“Se a pessoa não reduzisse a pressão em três meses, tendo esse apoio, tendo esse material ilustrativo, ela era então convidada para participar do estudo propriamente dito”, explicou uma das coordenadoras da pesquisa, Sandra Fuchs, professora de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisadora do HCPA.

Os pacientes pré-hipertensos foram, então, divididos em dois grupos. O primeiro grupo foi medicado com meia dose diária de um diurético composto por clortalidona e amilorida, enquanto o segundo recebeu um comprimido de placebo por dia. Os pesquisadores, então, realizaram avaliações trimestrais com os participantes para aferir a pressão arterial e avaliar possíveis aumentos ou reduções da dosagem, de acordo com a evolução do quadro de cada um.

Ao fim dos 18 meses, os cientistas verificaram que os pacientes medicados com diurético apresentaram redução de quase 45% no desenvolvimento de pressão alta, em comparação com aqueles que receberam o placebo. “Quase metade deixou de se tornar hipertenso porque tomou esse medicamento em baixa dose”, ressaltou Sandra.

Outro resultado verificado nessa primeira parte do estudo foi a redução da massa ventricular do coração nos pacientes que receberam clortalidona e amilorida. O aumento de massa é uma reação fisiológica do coração ao aumento da pressão sanguínea. “Com o tempo, passa a ser patológico. Aí se inicia o desenvolvimento de doenças cardíacas”. Essa redução de massa não foi verificada em pacientes medicados com placebo.

A professora Sandra Fuchs acredita que os resultados do estudo deveriam servir de base para mudanças nas diretrizes nacionais de tratamento da hipertensão. “Não podemos mais aceitar que um sujeito com 135 mmHg seja mandado para casa sem nenhum medicamento, apenas com orientações para mudanças no estilo de vida”, afirmou a pesquisadora. Ela ressaltou que a pressão alta é a maior causa de morte em todo o mundo. “O tratamento na fase de pré-hipertensão certamente salvaria muitas vidas”, completou.

Pacientes hipertensos

A segunda etapa da pesquisa foi feita com pacientes que já se encontravam na fase de hipertensão, ou seja, com pressão arterial acima de 140/90 mmHg.

Os voluntários foram divididos em dois grupos pelos pesquisadores. O primeiro grupo foi tratado com o mesmo medicamento do estudo anterior, composto por clortalidona e amilorida, enquanto o segundo recebeu o diurético Losartana, fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde a pessoas com hipertensão. Os pacientes também foram avaliados a cada três meses pelo período de 18 meses, como na primeira fase do estudo.

Ao fim do período, os participantes do primeiro grupo apresentaram redução de 2,3 mmHg na pressão sistólica em comparação com o segundo grupo. Além disso, os voluntários que receberam Losartana precisaram de doses maiores da medicação para controlar a pressão arterial.

“A hipertensão é o principal fator de risco para o desenvolvimento de doença cardiovascular. Por isso, é importante saber qual o medicamento que funciona melhor para baixar a pressão do paciente”, ressaltou a professora Sandra Fuchs. Segundo ela, o diurético feito à base de clortalidonia e amilorida é um medicamento de baixo custo, mais barato que a Losartana.

A pesquisadora, no entanto, disse que respeita a autonomia e a convicção dos médicos para prescrever medicamentos. “O que o nosso estudo faz é trazer novas informações que não estavam disponíveis e, a partir disso, as pessoas têm de reconhecer que a pesquisa, sendo válida, está mostrando qual é o tratamento que funciona melhor”, explicou.


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