Imprensa Nacional faz 209 anos com meta de ter Diário Oficial só na internet

Paulo Victor Chagas - Repórter da Agência Brasil Edição: Juliana Andrade

Responsável pela edição dos primeiros livros brasileiros, do primeiro jornal e com registro até no Guinness Book (Livro dos Recordes), a Imprensa Nacional completa hoje (13) 209 anos com novos desafios na era digital e a promessa de encerrar, até o fim do ano, a versão impressa do Diário Oficial da União.

De acordo com o diretor-geral do órgão, Pedro Antônio Bertone Ataíde, a expectativa é que, até o fim de setembro, o diário deixe de ser distribuído fisicamente, atendendo a demandas que vão desde a facilidade do uso de dispositivos eletrônicos à própria sustentabilidade. A publicação já chegou a ter 90 mil exemplares por dia e, atualmente, cerca de 6 mil cópias impressas são distribuídas em todas as unidades da Federação.

Para execução em um prazo maior, há outros projetos em implementação. Com o avanço maciço das mídias digitais, segundo Ataíde, os planos passam pelo aprimoramento da versão online como disponibilizá-la em formato de dados, facilitando a transparência. "Essa mudança vai permitir que o cidadão possa estruturar palavras-chave, montar tabelas e delimitar a pesquisa de uma maneira mais fácil. Hoje em dia é mais amarrado", disse.

Foi fugindo do avanço das tropas francesas de Napoleão Bonaparte que o príncipe regente de Portugal, D. João, desembarcou no Brasil em 1808 e, no mesmo ano, determinou a criação da então chamada Imprensa Régia, para registrar os atos do Império que colonizava parte da América. As primeiras máquinas tipográficas, inclusive, vieram da Europa na mesma frota da Família Real portuguesa.

De lá até os dias atuais, às histórias se soma o processo de modernização do principal produto da Imprensa Nacional, que é o Diário Oficial da União. Desde a primeira divulgação na internet, em 1997, o site publica diariamente milhares de páginas distribuídas em três diferentes seções.

“A Imprensa Nacional é responsável pelo início da construção de uma burocracia pública no Brasil. Nos séculos 19 e 20, ela tinha forte papel de produção de material gráfico, já que a impressão privada era praticamente inexistente. Além disso, ao fim e ao cabo, toda política pública tem como certidão de nascimento o Diário Oficial”, afirmou.

A Gazeta do Rio de Janeiro, fundada em setembro de 1808, foi o primeiro jornal impresso no Brasil, utilizando os equipamentos da Imprensa Nacional, o que, consequentemente, deu início à imprensa brasileira. O periódico divulgava atos e diplomas legais, além de notícias originárias do exterior. As leis, decretos e demais normas continuaram sendo publicadas em outros veículos, até que em 1862 o governo decidiu criar o Diário Oficial, que não deixou mais de ser publicado.

Reflexões sobre Alguns dos Meios Propostos por Mais Conducente para Melhorar o Clima da Cidade do Rio de Janeiro. Esse é o longo nome do livro que, impresso em 1808, é considerado o mais antigo do país. A publicação é uma obra acadêmica, o que contribui para o histórico de a Imprensa Nacional ter sido instrumento de difusão cultural. Um pouco antes, porém, o primeiro livreto de apenas 27 páginas já havia dado a largada, também com um título extenso: Relação dos Despachos Publicados na Corte pelo Expediente da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, no Faustosíssimo Dia dos Anos de S. A. R. o Príncipe Regente N.S.

Até Uraguay, livro do jesuíta José Basílio da Gama, preso e exilado na África, e Marília de Dirceu, do inconfidente mineiro Thomaz Antonio Gonzaga, foram publicados pela Imprensa Régia. Um dos escritores brasileiros mais consagrados, Joaquim Maria Machado de Assis foi funcionário da Imprensa Nacional, atuando inicialmente como aprendiz de tipógrafo e, alguns anos depois, assistente do diretor do Diário Oficial.

A editora da Imprensa Nacional funcionou ininterruptamente até 2000. Dez anos depois, retomou a sua produção de livros, voltada exclusivamente a serviços gráficos de órgãos da Presidência da República.

Com 2112 páginas, a edição do Diário Oficial da União de 19 de dezembro de 1997 conquistou o título de jornal de formato tabloide com o maior número de páginas do mundo.

Para celebrar a história e as conquistas da instituição, a Imprensa Nacional promove durante a semana uma programação comemorativa. Nesta segunda-feira (15), uma cerimônia em Brasília marca o aniversário com o lançamento da revista Imprensa Nacional, que trará artigos de reflexão sobre as recentes mudanças do analógico para o digital, e a assinatura da portaria que cria a Biblioteca Digital Machado de Assis, onde serão disponibilizadas obras raras e publicações históricas do órgão.


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