Os consumidores e o temor da inflação desenfreada

Artigo de autoria do Dep. Federal Dilceu Sperafico
Por Costa Assessoria

Os brasileiros mais experientes, que conheceram a inflação desenfreada, finalmente controlada em 1994 com o Plano Real, já estão retomando estratégias da época, para preservar o poder de compra de seus salários.

Como faziam até a criação da nova moeda, voltaram a fazer ranchos mensais, sacar dinheiro da poupança e quando possível a investir suas reservas financeiras em dólar e ouro.

Como os preços dos alimentos, especialmente, sofriam reajustes diários ou até mais de uma vez ao dia, como demonstrava o ruído característico das máquinas de remarcação entre as gôndolas dos  supermercados, as pessoas corriam fazer as compras do mês, tão logo recebiam o pagamento.

Se deixassem a tarefa para o dia seguinte, já não conseguiriam fazer as mesmas compras, pois os preços dos alimentos e produtos de limpeza  seriam outros, sempre mais elevados.

Felizmente, jamais voltaremos a índices inflacionários de até 80% ao mês, como aconteceu na época, mas aqueles que viveram essa tragédia dos assalariados, já estão se prevenindo contra perdas maiores, antecipando as compras mais urgentes.

A inflação foi tão nociva, que mesmo depois de mais duas décadas de seu controle, a população brasileira ainda não domina o pleno valor de compra da moeda nacional.

Tanto que lojas próximas vendem o mesmo produto por preços muito variados, ainda que disfarçados em promoções especiais, porque nem todos os compradores conhecem o valor real dos bens de consumo e/ou se dão trabalho de pesquisar os valores praticados no comércio local.

Nos países desenvolvidos, que sempre tiveram moedas estáveis, ninguém vende um produto por valor muito acima da concorrência, pois os preços de eletrodomésticos, por exemplo, são os mesmos há décadas e se sofrem variações, são sempre para baixo, graças aos ganhos em produtividade da indústria e ao crescimento da demanda.

Eventuais variações para cima só acontecem nos alimentos, devido  aos fenômenos climáticos, que afetam o rendimento das plantações e qualidade dos produtos.

No Brasil, diante do retorno da inflação, mesmo que ainda em índices administráveis, os consumidores estão se precavendo e retomando velhos costumes dos tempos de crise, conforme já detectaram economistas e outros especialistas do mercado financeiro.

Conforme eles, com o aumento da inflação e dos preços, especialmente dos alimentos, o Brasil vive mais uma  crise econômica, parcela da população voltou a correr aos supermercados tão logo receba o salário mensal e a planejar em detalhes todos os gastos domésticos.

Assim, mesmo não sendo aconselhável estocar produtos, devido ao eventual endividamento, gasto com energia e risco de perdas por deterioração, essa era alternativa de consumidores até o início dos anos 90, quando a inflação chegou a 800% por ano, contra os atuais 9%.

Hoje, além da elevação das dívidas da população, os preços de outros serviços também sobem e há de novo o risco de desemprego.

Por isso, ao invés de fazer estoques, a saída pode ser a pesquisa de preço antes de qualquer aquisição, pois o valor de produtos chega variar em até 40% em supermercados e lojas.

Outra modalidade é a compra coletiva, onde familiares e/ou amigos procuram estabelecimentos de atacado, onde conseguem diminuir gastos em 5%, 10% e até mais.

A economia de dois reais diários, ressaltam especialistas, soma 720 reais ao ano, o que pode fazer a diferença em novas compras e até na viagem de férias da família.


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