O desperdício de comida e a insegurança alimentar do planeta

Por Costa Assessoria
Artigo de autoria do Dep. Federal Dilceu Sperafico
Entre as grandes distorções do ser humano moderno, está o lamentável e enorme desperdício de alimentos.

Para atender a demanda e serem disponibilizados nos supermercados, como todos sabemos, os grãos, frutas e hortaliças, precisam ser cultivados em extensas áreas de terra, ocupando solo fértil e consumindo nutrientes e defensivos, além do esforço humano e de combustíveis, tanto na produção como no transporte.

Depois disso, para finalmente chegarem à dispensa das famílias, os alimentos também precisam ser selecionados, embalados, adquiridos e armazenados com cuidados mínimos, para que não se deteriorem rapidamente.

Como nem todos os cidadãos têm renda ou salário para arcar com todos esses custos agregados aos preços finais dos alimentos, muitas pessoas passam fome ou dependem da solidariedade dos semelhantes, da assistência de entidades beneficentes e do auxílio de programas sociais do governo, para sobreviver.

Considerando a necessidade de superação dessas etapas e a realização de elevados investimentos para sua produção, o desperdício de alimentos prontos para consumo representa verdadeiro atentado aos interesses da humanidade e aos recursos naturais.

Ainda mais que, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), as perdas de alimentos somam 1,7  bilhão de toneladas anuais, o equivalente a 30% da produção agropecuária e agroindustrial do planeta.

Esse volume, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), seria suficiente para alimentar 800 milhões de pessoas famintas, a cada ano.

Para aumentar ainda mais a nossa preocupação, de acordo com a FAO, o Brasil está entre os 10 países que mais desperdiçam alimentos em todo o mundo, com cerca de 30% dos frutos e 35% das hortaliças, jogados fora após a colheita, estoque ou preparo em restaurantes ou residências dos consumidores.

Nos países em desenvolvimento, os alimentos são perdidos por deficiências na colheita, armazenamento e/ou transporte, enquanto nas nações desenvolvidas o desperdício muitas vezes é creditado à abundância dos produtos.

Como o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do planeta, a FAO sugere até a criação de rede em torno da cadeia produtiva de alimentos, como alternativa para conter o atual desperdício.

Conforme especialistas, no País o problema está em toda a cadeia produtiva, com deficiências de infraestrutura e manuseio, plantio incorreto, doenças e problemas de embalagem, transporte e armazenamento.

Assim, muitos produtos são desperdiçados por estarem fora do prazo de validade ou por serem identificados como malformados ou fora do padrão estabelecido pela legislação.

O desperdício ocorre quando o alimento é jogado fora antes de chegar ao consumidor que dele necessita, como ocorre com frutos feios, sem padrão de qualidade e sem apelo comercial, mesmo contendo  proteínas, vitaminas e sais minerais de um produto normal.

Para isso colabora a legislação que penaliza o industrial, produtor ou mesmo restaurante que doar alimentos e alguém passar mal, pois é responsabilizado pelo problema, o que não acontece em outros países.

Nos países desenvolvidos as maiores perdas ocorrem após a  comercialização e preparo dos alimentos e as conseqüências dessa realidade estão na elevação do nível de insegurança alimentar mundial, devido à perda de um terço dos alimentos produzidos e comercializados.
author

União Agora

Seu Portal de Notícias, Brasil.

Receba atualizações do site por e-mail em sua caixa de entrada!

www.CodeNirvana.in

Copyright © UNIÃO AGORA | Notícias | União Agora Portal União Agora