Ex-Gays: Eles também existem


Por Rachel Sheherazade


Hoje eu poderia denunciar mais um caso de racismo, de preconceito contra nordestinos, discriminação contra mulheres, ou homofobia. Mas quero falar de um tipo de preconceito silencioso e pouco difundido que sofrem os chamados ex-gays - homossexuais que, por razões diversas (religiosas, sociais ou de foro íntimo), decidiram deixar a prática ou a condição de homossexuais.

O deputado Marco Feliciano convocou uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos para discutir o assunto.

O parlamentar, que também é pastor, e desenvolve um trabalho voltado a cristãos gays, defendeu o debate dizendo que os ex-homossexuais enfrentam duplo preconceito da sociedade: tanto dos héteros, quanto dos certos grupos LGBT, que os tratam como dissimulados, fingidos ou doentes mentais.

Nove ex-gays foram convidados a participar da audiência e contar, aos parlamentares, seus dilemas, seus sofrimentos, e o preconceito de que são vítimas. A intenção é cobrar proteção do Estado a essas pessoas, por se tratarem da minoria de uma minoria.

Apesar da forte discriminação, os novos héteros não têm medo de mostrar o rosto, nem de relatar suas sofridas historias de vida.
Vídeos de ex-gays estão se proliferando nas redes sociais, com um alerta em comum: “Eu existo”.

Os depoimentos, que postarei em meu blog pessoal, revelam a angústia de quem decidiu mudar de opção sexual, um direito de qualquer cidadão – gay ou não.
Leon Danys, homossexual desde os 14 anos, conta que teve apoio total da comunidade LGBT para se assumir; que, à época, sofreu preconceito por ser gay, mas, foi muito mais repreendido quando decidiu voltar a ser hétero.

Raquel Celeste, ex-lésbica, revela que após ser abusada dos 8 aos 15 anos, achava que não seria feliz ao lado de um homem, por isso, se assumiu gay. Quando deixou a homossexualidade, passou a ser discriminada. Disseram-lhe que o que ela vivia era uma mentira. Mas, Raquel rebate: “ninguém está na minha pele para dizer o que eu sinto ou deixo de sentir.”

Carlos Kenne também sofreu violência sexual na infância. Hoje sofre outra forma de abuso. É discriminado pelos amigos; acusa o ativismo gay de perseguição e ameaça; e ainda completa: “Até o Conselho de Psicologia não nos reconhece. Para eles, eu não existo. Mas, eu existo. Eu sou livre, numa nação livre, para viver segundo aquilo que eu acredito.”

A psicóloga Marisa Lobo é uma das que apoiam e reconhecem a condição dos ex-gays. Ela está redigindo um relatório para ser entregue à ONU, onde descreve cerca de cem casos de gays e lésbicas que mudaram sua opção sexual.



Se gays não têm cura, pois a homossexualidade não é, definitivamente, uma doença, eles têm ao menos o direito de tentar mudar de opção, se assim o quiserem. A isso, damos o nome de livre arbítrio.

Leon Denys:
https://www.youtube.com/watch?v=CaaMijeEA4A&feature=youtu.be
Carlos Kenne:
https://www.youtube.com/watch?v=72X4sf15U7k&feature=youtu.be
Tiago Oliveira:
https://www.youtube.com/watch?v=kRD_PBKipbk&feature=youtu.be
Raquel Celeste:
https://www.youtube.com/watch?v=4yDuSFsgnoc&feature=youtu.be
Robson Staines
https://www.youtube.com/watch?v=nDYcDZbtNV0&feature=youtu.be
Mateus Guedes Kadosh:
https://www.youtube.com/watch?v=EQMc3M1ipHs
Arley Lopes:
https://www.youtube.com/watch?v=ZXm4Uhu97qE&feature=youtu.be

@rachelsherazade
facebook.com/rachelsheherazadejornalista
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