Paraná: Sistema rural de abastecimento de água põe fim ao medo da seca


O casal Valdomiro e Brasília Camargo, moradores da comunidade rural Linha Alto Alegre, de Barracão, no Sudoeste do Paraná, sofreu 25 anos com falta de água. Assim como as outras 54 famílias da comunidade, eles eram obrigados a buscar o produto na comunidade vizinha ou usar a água acumulada das chuvas e enxurradas. 

Essa realidade acabou no início deste ano, quando o Governo do Estado implantou na comunidade um sistema de abastecimento de água - composto por um poço artesiano, rede elétrica, bomba submersa, rede adutora, reservatório e bomba dosadora de cloro. Agora, a propriedade dos Camargo conta com uma caixa sempre cheia de água limpa, tratada, potável. 

“Antes, em tempo de estiagem, muita gente ficava sem água até para beber. Agora temos à vontade, estamos faceiros”, brinca Brasília, que é aposentada e tem 62 anos. Ela conta que eles usavam para a higiene pessoal, limpeza da casa e até para beber a mesma água dada aos animais e usada na lavoura. “Até dava dor de estômago tomar aquela água”, conta Valdomiro, de 59 anos. 

O sistema de abastecimento de água da Linha Alto Alegre é um dos 525 que serão instalados pelo Governo do Paraná em comunidades rurais do Estado, até o final de 2014. Atualmente, 237 unidades estão em construção, em todas as regiões do Paraná, das quais metade entra em operação ainda neste ano. “Priorizamos a instalação do sistema em comunidades que sofriam problema sério em tempo de estiagem”, afirma o governador Beto Richa. 

O projeto, que teve início no ano passado, recebe investimento total de R$ 98 milhões. “O programa garante água de qualidade para consumo, para irrigação e para movimentar agroindústrias. Isso repercute na saúde e qualidade de vida das pessoas”, afirma o governador Beto Richa. 

O Instituto das Águas do Paraná (Águas Paraná) é o executor do programa. A Sanepar participa investindo R$ 20 milhões de seus próprios recursos na construção de 53 sistemas. 

O governo instala o sistema (poço artesiano, rede elétrica, bomba submersa, rede adutora, reservatório e bomba dosadora de cloro). Os municípios são responsáveis pela etapa de distribuição da água. “Inicialmente seriam 100 sistemas, mas o governador Beto Richa autorizou a ampliação do projeto”, explica Márcio Nunes, diretor-presidente do Águas Paraná. 

QUALIDADE DE VIDA – Na pequena propriedade de Lírio Angonese (67) é possível adquirir um dos melhores queijos caseiros do Sul do Paraná. É o que dizem seus vizinhos da comunidade de Linha São Paulo, em Bom Jesus do Sul. 

Aposentado, o agricultor trocou a sericicultura pela produção de queijo, trabalhando agora junto com a mulher, Sunta Angonese (65). A atividade iniciou há poucos meses, desde que foi instalado na comunidade o novo sistema de abastecimento de água. A produção de queijo lhe garante uma renda extra para ajudar nas despesas caseiras. “Sem a água não se vive. E essa é uma água de muito boa qualidade, dá para fazer queijo bom”, diz Lirio. 

A residência dos Angonese fica a cinco minutos da casa de Hermínio Schineider (66), ponto de referência na comunidade sempre que a seca assolava a região. Schineider, que mora há 36 anos na Linha São Paulo, distribuía água de sua propriedade para os demais moradores. 

“Nunca sofremos com a seca porque temos uma vertente. Mas hoje até a gente pega água da rua que é mais pura”, explicou, ressaltando que a fonte artificial de sua propriedade é de fácil contaminação. “Dá tranquilidade para a nossa saúde, porque lavamos os alimentos com essa água”, contou Irene, esposa de Schineider, de 65 anos. 

Na casa de Abrelino Bonifácio, de 73 anos, a alegria vem da certeza que haverá água no “dia de amanhã”. A esposa Unilda, a filha Rosane e os netos Willian, Fellipe e Lilian, moram há 53 anos no mesmo local e conheceram de perto o medo da seca. “A nossa comunidade cresceu muito rápido e o poço que tinha aqui não era suficiente. Alguns dias tinham água e outros não, e quem não guardava ficava sem”, contou Rosane. 

DESENVOLVIMENTO – Depois que foi instalado o novo sistema de abastecimento de água, a comunidade Linha São Paulo será elevada agora para a categoria de distrito de Bom Jesus do Sul, pelo fato de ter um número elevado de famílias e indústrias que ali se instalam. “Era uma das únicas comunidades que não contava com um sistema próprio de abastecimento. Além de atender todas as famílias, vai beneficiar as indústrias locais”, afirmou o prefeito, Cesar Bueno. 

A Cooperativa de Laticínios Farbom é uma das beneficiadas diretamente com o poço artesiano. Com quase 370 produtores cooperados, a Farbom dobrou o processamento de leite, passando de 12 mil litros/dia para 23 mil litros/dia, graças à água em abundância. “Nosso poço era muito pequeno para servir a comunidade e o laticínio. Com o passar do tempo fomos aumentando a produção, e a quantidade de água se tornou insuficiente”, contou Hélio Surdi, presidente da cooperativa. 

O poço implantado em Linha São Paulo é um dos maiores do programa, com 90 metros de profundidade e uma vazão de 30 mil litros de água por hora, suficientes para atender as 109 famílias que moram na comunidade. O investimento do Governo do Estado na obra foi de R$ 123 mil. 

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